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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Cientistas descobrem mecanismo que pode reverter perda de memória


Cientistas descobrem mecanismo que pode reverter perda de memória
Publicada em 30/01/2008 às 11h20m
O Globo Online

RIO - Cientistas que faziam uma cirurgia de cérebro experimental descobriram acidentalmente um mecanismo que pode reverter a perda de memória, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico "Independent". Durante a operação, que tinha como objetivo reduzir o apetite do paciente usando estímulos cerebrais, o homem de 50 anos reviveu lembranças de 30 anos antes. Outros testes mostraram que o processo também aumentava sua capacidade de aprendizado. Agora, cientistas estão aplicando a técnica a pessoas com o mal de Alzheimer.
Se a experiência for bem-sucedida, funcionará como uma espécie de marcapasso, oferecendo uma esperança para os pacientes deste mal degenerativo. O mecanismo já foi testado com três pessoas. Os resultados são promissores, de acordo com o professor de neurocirurgia do Hospital Ocidental de Toronto, Andrés Lozano, que está à frente da pesquisa.
" Essa é a primeira vez que alguém que teve eletrodos implantados no cérebro mostrou desenvolvimento da memória "
"Essa é a primeira vez que alguém que teve eletrodos implantados no cérebro mostrou desenvolvimento da memória. Estamos conduzindo a atividade do cérebro aumentando sua sensibilidade, elevando o volume dos circuitos de memória. Qualquer evento que envolva os circuitos de memória é mais apto a ser armazenado e retido", disse Lozano ao "Independent".
A descoberta pegou a equipe do professor de surpresa. Eles estavam operando um homem que pesava 190 quilos na tentativa de curar sua obesidade localizando o ponto no seu cérebro que controla o apetite. Todos os outros tratamentos haviam falhado, e a cirurgia que era sua última chance.
O procedimento também não funcionou. Mas enquanto os cientistas tentavam identificar possíveis pontos de redução do apetite no hipotálamo (região do cérebro que regula determinados processos metabólicos e é geralmente associada à fome, e não à memória), o paciente começou a dizer que lembranças estavam aparecendo.
"Ele relatou uma experiência de estar num parque com amigos quando tinha cerca de 20 anos de idade e, de acordo com que a intensidade do estímulo aumentava, os detalhes se tornavam mais vívidos. Ele reconheceu a namorada (na época). A cena apareceu em cores. As pessoas estavam conversando, mas ele não conseguiu decifrar o que falavam", disseram os pesquisadores nos Anais de Neurologia, publicados hoje.
" Isso nos dá meios para intervir, da forma como já fizemos com pacientes com Parkinson e distúrbios como a depressão "
"Quando a intensidade (dos estímulos) foi aumentada, ele conseguiu mais detalhes. Quando a corrente foi desligada, decaiu rapidamente", disse ao jornal o professor Lozano.
O paciente, que não foi identificado, passou por testes de aprendizagem. Depois de três semanas de estímulos cerebrais continuados, sua performance melhorou significativamente. De acordo com Lozano, um especialista em estimulação cerebral, a descoberta ajuda a entender as estruturas envolvidas na memória.
"Isso nos dá meios para intervir, da forma como já fizemos com pacientes com Parkinson e distúrbios como a depressão, e pode ter benefícios terapêuticos para pessoas com problemas de memória", disse o cientista, segundo o jornal.
(Agradeço a gf ter-me enviado esta notícia que, pelo interesse que tem, resolvi publicar no nosso blogue-AH)

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